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segunda-feira, 8 de março de 2010

Acontecimentos no ano de 1147

  • Março,05-Nasce D. Henrique, 1º filho do seu casamento com D.Mafalda
Este infante terá morrido de tenra idade, eventualmente 8 anos, depois do seu irmão Martinho , futuro rei D.Sancho que nasceu a 11 de Novembro de 1154, quando o seu nome deixa de aparecer na documentação régia.

Terá sido sepultado e Santa Cruz de Coimbra

  • Doação de Santarém aos Templários
Da Conquista de Santarém extraído da "Crónica de D.Alfonso Henriquez"se pode concluír que Santarém tenha sido doado aos cavaleiros Templários

"Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Eu, Afonso, por graça de Deus Rei dos Portugueses, começando minha jornada para o castelo de Santarém, fiz voto que se Deus mo concedesse lhe ofereceria todo o direito eclesiástico e aos cavaleiros e demais religiosos dos Templários que me acompanharam nesta empresa [...]. Portanto, eu, D. Afonso, com a minha mulher, a rainha D. Mafalda, fazemos Doaçao aos cavaleiros de todo o direito eclesiástico de Santarém para que o tenham e possuam, assim como seus sucessores para sempre [...]"


  • Novembro-Fundação do mosteiro de S.Vicente de Fora
O Mosteiro de S. Vicente de Fora foi fundado em 1147 por D. Afonso Henriques , em cumprimento de um voto dirigido ao Mártir São Vicente pelo sucesso da conquista de Lisboa aos mouros. Doado aos cónegos regrantes de Santo Agostinho.

A igreja e convento maneiristas construídos no século XVI, segundo projecto de Filippo Terzi, substituirá este velho mosteiro

Hoje o Mosteiro São Vicente de Fora é, sem dúvida, um dos monumentos mais impressionantes e marcantes da urbe Lisboeta, não só pelo seu significado artístico mas sobretudo pela forma como se impõe com as suas proporções grandiosas, dominando a cidade e o Tejo. Desde Novembro de 1998 estão instalados aí os Serviços do Patriarcado de Lisboa Do amplo terraço da cobertura disfruta-se um dos mais belos e vastos panoramas sobre Lisboa.

Conquista de Santarém



Castelo de Santarém)

Chegara a altura em que, embora reconhecido como rei, pelo seu primo Afonso VII e vassalo do Papa, Afonso Henriques toma consciência da pequenez dos seus domínios. Em definitivo, para Norte ainda que reivindicando possessões de sua mãe a experiência em termos de expansão não tinha surtido efeito, restava-lhe o avanço para Sul, desbravando terras "infiéis", cuja conquista fosse bem mais consentânea com o seu título de cavaleiro de São Pedro, que o papa lhe atribuíra.

A sul, onde grassava alguma desordem resultante dum novo fundamentalismo religioso, assumido pelos almôadas, que vinham substituindo os antigos corruptos almorávidas, podia ser uma possibilidade, equiparada ao prestígio das Cruzadas

Santarém torna-se então de primordial importância na estratégia de desenvolvimento, primeiro por ser um ponto forte de partida para os ataques que eram feitos a Leiria e Coimbra e depois como praça fundamental na defesa de Lisboa, que não seria conquistável, sem primeiro se conquistar Santarém.

É nesta linha de pensamento que actualmente incidem as opiniões dos historiadores medievalistas, que associam a conquista de Santarém ao facto de terem sido anteriormente "negociados" os apoios que viria a receber para concretizar a conquista de Lisboa.

Sendo pois imperiosa a conquista de Santarém, torna-se evidente que só um ataque de surpresa, poderia surtir efeito para tomar de assalto uma praça tão forte.

A surpresa sugere penetração na cidade durante a noite e exige segredo, "o segredo exige o pequeno número de combatentes, o pequeno número exige uma selecção rigorosa (J.Mattoso).

Assim na madrugada do dia 15 de Março de 1147, o pequeno grupo (talvez 120 pessoas) entra na cidade e submete-a rapidamente.

Tal foi a facilidade da conquista em apenas uma noite, sendo Santarém uma praça muito forte e rica, em contraste com os quatro meses que foram necessários para a conquista de Lisboa, que se pode questionar se não teria havido conivência de parte de alguém dentro da cidade.

Havia em Santarém muitos habitantes moçárabes (cristão de cultura árabe), pois a cidade apenas havia estado sob ocupação almorávida entre 1111 e 1140.

Outra questão interessante, conta-se, foi a forma que Afonso Henriques utilizou para romper as tréguas estabelecidas, entre as tropas portuguesas e Santarém, já que os usos da época determinavam que se não podia atacar havendo tréguas, sem primeiro avisar o inimigo.

D.Afonso Henriques terá então enviado Martin Mohab, numa terça-feira a Santarém dizendo que as tréguas estavam "rotas por três dias", mas atacou dois dias depois do prazo indicado.

A isto chamou Alexandre Herculano uma "perfídia", outros dirão que foi muito inteligente e hábil, típica da arte de guerra.

D.Afonso Henriques foi muitas vezes hábil, demasiadas vezes esperto em fazer acordos e a rompê-los, assim começámos a ser Portugal.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Fernão Peres Cativo nomeado mordomo-mor



Embora não fosse essa a regra uma dos primeiros alferes-mor de D.Afonso Henriques, foi um nobre de origem galega, provavelmente parente próximo de de Fernão Peres de Trava, eventualmente seu irmão, foi Fernão Peres Cativo, um dos seus principais colaboradores do nosso primeiro rei durante mais de um quarto de século.

Esta nomeação também foi exepção por outra razão, é a única nos altos cargos do reino de um membro fora da família Ribadouro.

Peres Cativo desempenhou este cargo durante seis anos, tornando-se depois governador de
Viseu, sucedendo a Bernardo Peres de Trava, de Oliveira do Hospital e de Lafões, acumulando com o cargo de mordomo-mor, depois da morte de Egas Moniz, desde o ano de 1146 até 1155.

Apenas se conhece um doucmento régio em seu favor a doação da vila de Moçamedes, no concelho de Vouzela, mas o seu nome aperece na lista dos confirmantes na quase totalidade dos diplomas de D.Afonso Henriques.

Como já disse Peres Cativo sucede no cargo de mordomo-mor a Egas Moniz, o Aio de D.Afonso Henriques, por morte deste e que se encontra sepultado no Mosteiro de Paço de Sousa, do qual foi padroeiro, o seu túmulo representa precisamente este episódio lendário da sua ida a Toledo.

Na foto :

O Mosteiro de Paço de Sousa ou Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa é um dos 21 monumentos que integram a Rota do Românico do Vale do Sousa. Fica situado em Paço de Sousa, no concelho de Penafiel, Distrito do Porto, Portugal.
Classificado como Monumento Nacional pelo Decreto 16-6-1910, DG 136, de 23-6-1910; 67/97, DR 301, de 31-12-1997

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O casamento real

  • A escolha da Raínha

Não querendo "romantizar" em demasia a ideia expressa por Diogo Freitas do Amaral, abordada em postagem anterior, que Châmoa Gomes, mãe de 2 filhos seus , seria o "grande amor" da sua vida, o certa é que aos 35 anos D.Afonso Henriques continuava solteiro, era preciso tratar do seu casamento e não seria concerteza Châmoa Gomes a eleita para a "função" de Rainha.

Levando ainda mais longe a sua teorização romântica, Freitas do Amaral, diz ainda que D.Afonso Henriques terá tentado casar com Châmoa, mas não o terá conseguido, pois naquele tempo de indiscutível autoridade da Igreja Católica os Reis não podiam casar com as amantes e os filhos ilegítimos não podiam suceder-lhes na coroa.

Quanto á possibilidade da amante, deixar de o ser pelo casamento, também, não se poderia colocar, já que Châmoa Gomes, depois de enviuvar do seu primeiro marido, professara no mosteiro de Vairão, logo era Devota (de vota consagrada a Deus) e impedida de se casar.

Muito embora não haja qualquer prova documental, há quem afirme que D.Afonso terá casado com Châmoa, muito embora esse casamento tenha sido anulado pouco tempo depois.

Por outro lado a vassalagem prestada ao Papa com intuito de se promover a independência do Reino, tornava imperativo que D.Afonso Henriques se assumisse como um monarca católico e bem comportado.

Por outro lado os conselheiro do Rei não iriam admitir um casamento com uma familiar dum magnate galego, pois Chamoa era sobrinha do galego Peres Trava.

Quem escolher afinal para Rainha ?

Para alguns a deliberação de D.Afonso Henriques e seu conselheiros, em especial Egas Moniz e D.João Peculiar, teriam sido o de escolher noiva fora do âmbito da monarquia leonesa, não escolher mulher nem na Galiza, nem em Leão, indo buscar uma aliança mais longe.

O que mais uma vez demonstraria, segundo eles, o verdadeiro sentido de Estado do rei D.Afonso e seus conselheiros.

Para outros, por exemplo José Mattoso, a esta hipótese falhou por razões bem mais comezinhas, parece que nenhuma casa real da Península estaria interessada em casar uma sua princesa, com alguém que afinal era apenas duque, conforme o Papa Lúcio II o havia bem recentemente apelidado.

A escolha acabou por recair na filha de Amadeu III conde de Saboia, um condado autónomo não muito conhecido nas cortes peninsulares, mas nem por isso menos importante, como alguns cronistas da época julgavam, por certo por desconhecimento.

Uma das suas irmãs era rainha de França, por casamento com Luís VI, mãe do novo rei Luís VII, pelo que afinal D.Afonso Henriques viria a casar com a sobrinha dum dos Reis mais poderosos da cristandade

  • Quem foi então a nossa primeira Rainha ?

Era filha de Amadeu II, conde de Sabóia, Maurienne e Piemonte, e da condessa Mafalda de Albon. Ignora-se a data do seu nascimento, muito embora se se atender ao facto de ter sido mãe em Maio de 1147, atendendo a que terá casado em 1146, é crível, que andaria nessa data pelos 16-20 anos, pelo que se poderá deduzir que tenha nascido entre 1126 e 1130.

O casamento com o nosso monarca foi provavelmente em 1146. O certo é que só em Julho desse ano figura nos diplomas públicos o nome da soberana, com a forma de Mahada, tradução de Mahaut, nome da princesa de Sabóia.

Da vida da rainha pouco se sabe, mas fica a ideia que não teria muito bom feitio, não sendo bom o seu relacionamento com o prior de Santa Cruz, S.Teotónio.

Um dos conflitos relatados, aponta a sua teimosia em pretender visitar os claustro interiores do mosteiro de Santa Cruz, que Teotónio terá recusado, para não infringir as regras do mosteiro.

Como grande parte das fontes da época, a credibilidade das mesma deixa por vezes muito a desejar, sendo frequente na literatura religiosa da época, referências pouco lisonjeiras a mulheres que ousavam destacar-se enfrentado o poder, fosse civil ou religioso.

Algumas considerações mais românticas insistem em atribuir á vida desta Rainha um certo estigma de infelicidade, pela vivência que o marido lhe proporcionou."Veio encontrar um marido que amava outra mulher e já tinha dela dois filhos" (segundo DF Amaral) e esses desgostos amorosos causados pelo marido, ter-lhe-ão torturado o espírito, que fez "azedar-lhe o feitio.

Pessoalmente coloco algumas reservas a esta concepção, que me parece desajustada, dos conceitos do relacionamento entre casais no século XII. Acrescentado contudo um facto bastas vezes referido, por vários cronistas, que atribuem a D.Afonso Henriques um temperamento colérico.

A sua função materna, essa cumpriu-a em pleno, em apenas 12 anos de casamento, foi mãe de 7 filhos, tendo morrido no parto da última criança, a infanta Sancha em 4 de Novembro de 1157

Não constam nenhuns actos notáveis de que tomasse a iniciativa, além das muitas fundações de piedade e penitência que os cronistas lhe atribuem; como, porém, muitas vezes se confunde a mulher de D. Afonso Henriques com a infanta de Portugal e rainha de Castela, do mesmo nome, filha de D. Sancho I, nem todas as fundações que as crónicas lhe atribuem terão sido realmente dela, mas sim da neta.

Também lhe é atribuída a iniciativa da construção de uma ponte sobre o Douro (perto de Barqueiros) e outra sobre o Tâmega. Está sepultada em Santa Cruz de Coimbra junto do marido.

Este casamento com as devidas ressalvas terá acontecido no dia 31 de Março de 1146

PS.-Muito embora na maior parte dos documentos da época, apareça com o nome de Mafalda, subsistem dúvidas se o nome dela não seria Matilde

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Devotionem tuam-A resposta do Papa

Apesar das mortes quase seguida dos papas Inocêncio II e Celestino II, o novo papa Lúcio II respondeu ás pretensões portuguesas expressas na carta Claves regni de Dezembro do ano anterior.

A carta é habilidosa no sentido em que não aceita (ou recusa) por inteiro as pretensões enunciadas pelo rei português, fica-se por alguma meia-tinta diplomática, como aliás também se pode entender seja a sua atitude face aos dois reis cristãos de península ibérica.

Quais são os aspectos negativos ?

Não trata D.Afonso Henrique por Rei, trata-o simplesmente por "Ilustre duque portucalense", chama a Portugal terra e não reino, não fala em independência nem promete expressamente a protecção requerida, contra o poder de qualquer senhorio secular. (cf.D.F.Amaral).

e os aspectos favoráveis ?

Aceita a vassalagem e o tributo anual em ouro prometido considera D.Afonso Henriques como ovelha que Cristo recomendou a guarda de Pedro, reconhecendo a luta desenvolvida contra os pagãos e exprime o voto que, D.Afonso permaneça sempre defendido do assalto dos inimigos visíveis e invisíveis e protegido por S.Pedro tanto nas almas como nos corpos.(Cf.D.F.Amaral).

Não pode contudo deixar de se salientar, que muito embora a carta não tenha correspondido em absoluto ás pretensões portuguesas é um facto que desta carta escrita a 1 de Maio de 1144, resulta que a vassalagem proposta pelo rei de Portugal foi aceite e por consequência estaria implícito que assumiria os respectivos deveres.

José Mattoso afirma que não se conhece nenhuma reacção de D.Afonso VII de Leão á vassalagem proposta pelo rei Português antes de 1148, data em que terá tido conhecimento desta carta, o que faz jus á conclusão que se Devotionem tuam, não tivesse efeitos positivos para a autonomia portuguesa por certo Afonso VII não se teria dado ao incómodo de protestar junto da Santa Sé.

O protesto fundamentava-se que o Papa, lhe estaria a "diminuir o senhorio e a dignidade e quebrar os foros da monarquia e de que tivesse aceitado algumas coisas de Afonso Henriques e concedido outras que este pretendera, de modo que os direitos da coroa leonesa eram lesados, ou antes destruídos, com uma injustiça não transitória, mas perpétua", conforme Alexandre Herculano diz na sua História e Portugal

Os cistercienses instalam-se em Portugal


  • A Ordem de Cister, fundada em 1098 por S. Roberto, defendia um regresso à pureza e ao despojamento originais do cristianismo, através de uma reforma profunda da organização e vivência monásticas.

    Sob a direcção de Bernardo de Claraval, a ordem chegou a Portugal em 1144, data da fundação do Convento de S. João de Tarouca.

    O Mosteiro de S. João de Tarouca é um dos mais interessantes de toda a região do Douro Sul.

    Está classificado Monumento Nacional. A Igreja foi reconstruída no sec. XVI e dessa época guarda valiosos tesouros, entre os quais se destacam os dez belíssimos altares de traça renascentista, o quadro de S. Pedro, os painéis de azulejo alusivos à fundação do Mosteiro e as esculturas.

    O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas é outra jóia da arquitectura românica, estritamente ligada aos primeiros tempos da fundação da Nacionalidade.

    Num rápido crescimento motivado pela protecção régia de que gozava, e que via nos monges de Císter um meio ideal de fortalecer a fixação e o povoamento de um território ainda em formação, a ordem chegou a ter mais de trinta mosteiros em Portugal, alguns deles riquíssimos testemunhos da produção artística nacional ao longo de vários séculos.



Soure-O último ataque muçulmano


Existem divergências quanto à fundação do Castelo de Soure, argumentando alguns que o conde D.Henrique outorgou foral à povoação em 1111 e outros atribuí-la aos muçulmanos.

Há consenso que o castelo foi erguido apressadamente, como não será difícil deduzir atendendo à sua condição de território fronteiriço, tendo sofrido em várias ocasiões assaltos de forças muçulmanas.

Em 1116 deu-se um dos ataques mais violentos, que visava retomar Coimbra, fugindo a população que depois de incendiar o castelo se refugiou em Coimbra.

Mais tarde, a condessa D. Teresa concedeu(1128) à Ordem do Templo o Castelo de Soure e todas as terras entre Coimbra e Leiria, vindo a constituir estes domínios a sede da Ordem em Portugal.

Supõe-se que, após essa investida muçulmana e a destruição do castelo de Soure, Martinho Árias foi encarregado de ali restaurar a igreja e de prestar assistência religiosa aos moradores.

Não há contudo nenhuma notícia de qualquer intervenção dos Templários em operações militares até 1144. A suas forças organizativas estavam mais empenhadas na gestão das numerosas terras que lhe haviam sido entregues em França e noutros países

S. Martinho de Soure, apesar de não ser natural de Soure, veio para esta localidade, (era cónego da Sé de Coimbra), com o seu irmão Mendo, também eclesiástico do mesmo cabido

Segundo o cronista, em 1144, o governador de Santarém Abu-Zakaria ocupou Soure, que destruiu, levando cativa parte da população para Santarém, com excepção de Martinho Árias, que foi conduzido a Córdova, onde vivia a morrer anos mais tarde.

Esta derrota é ilustrativa da má preparação acima referida, contudo o contingente templário terá sido bastante reforçado atendendo à importante ajuda que prestaram a D.Afonso Henriques quando da conquista de Santarém.

Não há informação de mais nenhum ataque muçulmano ao Reino de Portugal após esta data.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A vassalagem ao Papa

Na Idade Média existia um conceito, chamado "liberdade romana" que consistia em que "o mosteiro,ou diocese, ou reino, a que era concedida, ficava isento dos poderes civis ou eclesiásticos do lugar a que antes estava sujeito, reconhecendo para o futuro só a autoridade do romano Pontífice ou dos seus legados, ao qual ficava pagando um censo módico".

Ora habilmente, foi neste preceito que D.Afonso Henriques por certo aconselhado pelos seus "assessores", se baseou em tentar junto do papa Celestino II*, esta benesse que a ser-lhe concedida, traria para sempre a liberdade da dependência feudal do Imperador de Leão.

Isto aconteceu menos de 3 meses depois de Zamora a 13 de Dezembro de 1143, data da carta, onde declarava que tinha feito homenagem à Sé Apostólica, nas mãos de o cardeal Guido e que se obrigava a pagar à Santa Sé o censo anual de 4 onças de ouro, sob condição de o papa defender a sua honra e a dignidade da sua terra.Afirmando também que só reconhecia a autoridade do Papa e de mais nenhum poder eclesiástico ou secular.

Através desta carta Claves regni (as chaves do Reino), D.Afonso Henriques intitula-se"Afonso por graça de Deus Rei de Portugal", decide enfeudar o reino de Portugal á Santa Sé, carta confirmada por D.João Peculiar, arcebispo de Braga, D.Bernardo, bispo de Coimbra e D.Pedro, bispo do Porto.

Segundo Diogo Freitas do Amaral "o significado jurídico e político desta carta, tratou-se do que modernamente se designa por declaração unilateral de independência, no sentido de não acordada ou pactuada com Afonso VII de Leão.

Este foi com certeza o momento decisivo na independência de Portugal.

Um aspecto por esclarecer, prende-se com a não reacção de Afonso VII ao facto de segundo o que se diz nesta carta "que tinha feito homenagem à Sé Apostólica, nas mãos de o cardeal Guido" sendo que eventualmente isso tenha acontecido em Zamora dois meses antes.

Com se compreende que Afonso VII, não tenha então reagido a esse acto contrário aos seus interesses ?

Parece claro só existirem duas possibilidades ou não soube, podendo ter acontecido um encontro entre o cardeal Guido e D.Afonso, sem o seu conhecimento, ou soube e Guido de Vico lhe tenha assegurado que o acto de seu primo em nada o prejudicaria.

Afonso VII foi realmente enganado, pelo menos no plano ético, resta-me saber se esse conceito é apenas uma visão desajustada das práticas na Idade Média.


*-Alguns autores indicam Inocêncio II como o papa a quem Afonso Henriques enviou a Clóvis Regni, porém esse Papa já havia morrido em 24 de Setembro, sendo Celestino II papa desde 3 de Outubro de 1143.

Certo que só foi papa alguns meses, pois morreu em Março do ano seguinte.

O tratado de Zamora


(Catedral de Zamora)

O Tratado de Zamora foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o rei Afonso VII de Castela e Leão , a 5 de Outubro de 1143.

Tratado de paz celebrado na presença do legado papal Guido de Vico onde é reconhecido ao infante português o título de rei.

Após cerca de três anos sem hostilidades entre os dois territórios vizinhos, o encontro de Zamora serviu para definir as cláusulas da paz e, possivelmente, os limites de cada Reino.

Recorde-se porém que os três anos de paz, aconteceram não porque o rebelde rei português, tenha a acatado a paz que havia sido estabelecida em Tui em 1137, mas por consequência de uma nova paz ajustada em Valdevez em 1140.

Efectivamente Afonso Henriques, pela 5ª vez em 10 anos, voltara a invadir a Galiza, cercando e tomando Tui em Agosto de 1140.Enorme paciência teve Afonso VII, para com o seu irrequieto primo, para de novo o forçar a voltar à Galiza, retomando com as suas hostes, locais que haviam sido tomados pelos portugueses.

Como era então costume na Idade Média, ajustou-se então a realização de um torneio, entre um número limitado de cavaleiros portugueses e leoneses.

Consta-se que o resultado da refrega foi favorável ás forças portuguesas e que na sequência se teria ajustado em "cessar-fogo", por alguns anos até que "depois com mais sossego, se pudesse assentar uma paz definitiva e duradoira" (Alexandre Herculano)

Ao mesmo tempo,nessa Conferência, foi reconhecido o título de rei a D. Afonso Henriques, reafirmando-se os seus laços de vassalagem em relação a Leão.

Será muito interessante notar-se que a data da conferência de Zamora aconteceu em 4 e 5 de Outubro de 1143 e que a implantação da Republica igualmente aconteceu em 5 de Outubro de 1910, concluindo-se que aconteceram 767 anos de monarquia em Portugal, se se considerar a data de Zamora como a da fundação da nacionalidade.

Teoria discutível dado que, o que aconteceu em Zamora foi apenas o reconhecimento por Afonso VII da condição de rei a D.Afonso Henriques, que servia perfeitamente os seu interesses dado que pretendia lhe fosse reconhecido o título de Imperador e portanto aumentava o seu prestígio ter reis como vassalos.

Certo é que após esta data , não tenha acontecido mais nenhum conflito grave entre Afonso Henriques e Afonso VII.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Acontecimento no ano de 1142


  • Carta de foral a Germanelo

Cinco anos depois da concessão do foral a Penela, D.Afonso Henriques, cria outro concelho a cerca de 5 km de Penela, num dos montes Germanelos, onde manda construir um castelo, determinando que, além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos quantos tivessem cometido crimes de homicídio, de furto, ou de qualquer outro tipo de perturbação pública, que se quisessem refugiar nas terras do Germanelo, de as cultivarem e de as defenderem dos ataques dos inimigos.


Esse castelo foi construído no alto de uma colina dominante sobre o vale do rio Rabaçal e tal como o seu vizinho o castelo de Penela, tinha a função genérica de defesa de Coimbra pela linha do rio Mondego, dos frequentes ataques dos Mouros na região.

Com o avanço das fronteiras para o Sul, o castelo perdeu a sua função estratégica, vindo a ser abandonado

Castelo de Germanelo localiza-se na Freguesia de Rabaçal, Concelho de Penela, Distrito de Coimbra.

  • Carta de foral a Leiria e reconstrução do Castelo
Qualquer que seja a hipótese sobre as teses quanto as arremetidas dos Mouros contra o castelo de Leiria começado a construir em 1135, o facto é que em 1142, D.Afonso Henriques, atribuí carta de foral a Leiria,( nesse tempo com a designação de Leirena), que como sempre, tinha por objectivo a colonização e defesa daquela região, que na altura viria a consistituir a primeira fortificação avançada de Portugal.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Torneio de Valdevez




Depois da prestigiante vitória em Ourique, impunha-se a D.Afonso Henriques duas tácticas possíveis no caminha da aformação perante os leoneses, ou o caminha da paz e do cumprimento escrupoloso da paz alcançada em Tui, ou o do confronto aberto em violação desse mesmo acordo.

A opção tomada foi a segunda, apesar dos riscos, também é certo que D.Afonso VII, tinha outras frentes de permanente quezília com Navarra e Aragão e também com os mouros a Sul, que podería indicar ser este o caminho mais aconselhável.

Reunindo pois as suas forças D.Afonso Henriques pela 5ºvez em 10 anos resolve invadir a Galiza, tentando dominar Toroño e Limia, a resistência galega foi intensa, assim como a retaliação do rei leonês que acabou por trazer os seus exércitos até à Galiza.

Com acontecia algumas vezes na Idde Média, substituí-se um reencontro militar feroz por um torneio militar. Contudo tal acontecimento não terá sido de todo em todo pacífico, porque dos primeiros contactos militares foi preso o conde Radimiro, que chefiava a força leonesa e que terá motivado a organização do tal torneio militar.

Este torneio aconteceu nas margens do rio Vez, onde hoje se encontra se situa a cidade de Arcos de Valdevez

Do tal torneio resultou a vitória portuguesa, o que levou Afonso VII a solicitar tréguas através do arcebispo de Braga, o que veio a acontecer ajustando-se um período de acalmia, (chamar-se-ia cessar fogo hoje em dia) pelo prazo de alguns anos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Hipotética vinda de monges da Claraval para Tarouca



D. Afonso Henriques lançou a primeira pedra do mosteiro no seu regresso da batalha de Trancoso, iniciando-se a construção deste mosteiro cisterciens, neste ponto do rio Varosa

Após a construção do mosteiro de S. João de Tarouca a Ordem de Cister continuou as suas construções, por exemplo os conventos de Santa Maria de Salzedas e Alcobaça, pois os religiosos de Cister deviam viver do seu trabalho, não acumular riquezas, e edificar os mosteiros em lugares ermos, sem qualquer decoração.


Durante muito tempo considerado a mais antiga fundação cisterciense em Portugal, estudos recentes vieram retirar-lhe esse estatuto, em benefício da comunidade de S. Cristóvão de Lafões, vinculada a Cister a partir de, provavelmente, 1137.

E se, em Lafões, o mosteiro medieval não sobreviveu até hoje, em Tarouca conserva-se ainda o essencial da obra original.

Quatro anos mais tarde, o mesmo monarca doou o couto de Santa Eulália aos monges de Tarouca, documento onde se refere, expressamente, que a instituição se regia secundum Ordinem Cisterciensium.

Directamente filiado da Abadia-Mãe de Claraval, o Mosteiro de S. João de Tarouca, de arquitectura românico-gótica, conseguiu, em menos de um século, um importante número de doações e benefícios que lhe valeram ser detentora de um grande e rico património, mosteiros, conventos e abadias cistercienses, espalhados por todo o norte e centro do país.


Os religiosos de Cister deviam viver do seu trabalho, não acumular riquezas, e os mosteiros seriam edificados em lugares ermos, sem qualquer decoração.

Chamoa Gomes e o primeiro filho



Não foi por certo fruto de primeiras experiências amorosas, mas foi em 1140 que D.Afonso Henriques foi pai pela primeira vez, tinha então á volta de 30 anos.

Fontes de imaginação mais romântica como Diogo Freitas do Amaral, afirmam que foi a mãe desse primeiro filho Chamoa* Gomes, por "quem se enamora intensamente, que será o grande amor da sua vida", que é nem mais nem menos que uma sobrinha de Fernão Peres de Trava.

Chamoa foi primeiro casada com Paio Soares de quem teve 3 filhos, enviuvou, foi monja num mosteiro beneditino. Teve mais tarde um filho de Mem Rodrigues de Tougues, que morreu novo, só depois conheceu D.Afonso Henriques.Talvez a sua vida atribulada lhe tenha valido a alcunha de "A Loba".

Este primeiro filho que se chamará Fernando Afonso, irá desempenhar um papel político importante, mesmo depois da morte de seu pai.

Fernando Afonso, foi eleito grão-mestre da Ordem do Hospital em 1202,provavelmente por influência que sua meia-irmã Matilde de Flandres exercia junto do papa Inocêncio III.

Tendo participado no vergonhoso cerco a Constantinopla em 1204, no âmbito da 4ª Cruzada, pois como se sabe o objectivo era de conquista da Terra Santa.

Neste ano é documentada a sua presença em Acre em Julho de 1204

Demite-se do seu cargo e volta a Portugal em 1206. Segundo o Chronica magistrorum defunctorum (um texto do século XIV) no regresso á pátria foi envenenado "pela sua gente". A sua sepultura está na igreja de S.João de Alporão em Santarém.

(Cf. Mattoso, José - "A Formação da Nacionalidade no espaço Ibérico", História de Portugal, vol. II, (dir. José Mattoso), Círculo de Leitores, s.l., 1993.)

Na foto a velha Igreja de S. João do Alporão, construída durante o século XII.

A Igreja integrava-se numa das portas de acesso à Vila – a Porta de Alporão - e era um ponto fundamental na organização urbana de Santarém.

No século XIV, realizavam-se no local reuniões onde se discutiam os problemas da Vila. Mais tarde, corria o século XVII, chegou a servir de arrecadação a um particular. Em 1910, o edifício foi classificado como Monumento Nacional e hoje é o Museu Municipal de Santarém, onde pode ser visto um valioso espólio arqueológico e cultural.

* Alguns autores chamam-lhe Flâmula Gomes

sábado, 5 de dezembro de 2009

D.João Peculiar recebe o pálio em Roma



Uma vez nomeado arcebispo primaz de Braga, D.João Peculiar vai mais uma vez a Roma para receber o palio, que Inocêncio II lhe entregou, ordenando-lhe que assistisse ao concilio Lateranense II, que naquele tempo se celebrava

D.João era um homem de Coimbra, onde nasceu e estudou, antes de rumar à Universidade de Paris.

Quando regressou foi mestre-escola da catedral de Coimbra, quando era arcediago D. Telo, que acompanhou a Roma para implorar de Inocêncio II, que o instituto dos cónegos regulares de Santo Agostinho fosse restituído à sua primitiva observância.

Coimbra aliás que D.João nunca esqueceu onde ia com muita frequência, ao mesmo tempo que influenciava Braga com alguns costumes e ritos dessa sua antiga canónica.

.Regressando a Braga foi recebido com as maiores demonstrações de respeito e de júbilo

D. João Peculiar foi um dos mais próximos conselheiros de Afonso Henriques e o grande cérebro da Cúria Régia - o grande responsável pela política de doações terras e concessões de cartas de Couto a numerosos mosteiros.

Foi arcebispo de Braga durante 36 anos

A Batalha de Ourique-O milagre



Alexandre Herculano)

A grande religiosidade da Idade Média, foi um dos factores, para o desenvolvimento do carácter místico atribuído á batalha de Ourique.

A crença que havia na existência de milagres interventivos na vida dos povos e neste caso colocando Portugal como país amparado pela vontade de Deus.


Em traços largos a Crónica de Duarte Galvão conta-a assim :

"Quando foi finda a tarde, depois que o príncipe fez pôr as guardas no seu arraial, o eremita que estava na ermida, veio até ele e disse-lhe :

-Príncipe D.Afonso, Deus te manda por mim dizer que, pela grande vontade e desejo que tens de o servir, quer que tu sejas ledo e esforçado, el te fará amanhã vencer el-rei Ismar e todos os seus grandes poderes. E mais te manda dizer que quando ouvires tocar uma campaínha que está na ermida, deves sair fora e ele te aparecerá no céu, assim como padeceu pelo pecadores (...)

Desde que partiu o eremita, D.Afonso pôs os joelhos em terra e disse :

-Oh senhor bom Deus todo-poderoso, a quem todas as criaturas obedecem, sujeitas a teu poder e querer, a ti só conheço e agradeço (...) E tu senhor, sabes que por te servir passo muita fadiga e trabalho contra estes teus inimigos, com os quais, por serem contra ti, eu não quero paz nem quero tê-los como amigos.

E desde que isto disse, com outras palavras muito devotas, encomendou-se a Deus e à Virgem gloriosa, Sua mãe. Então encostou-se e adormeceu.

E quando foi uma meia-hora antes da manhã, tocou a campaínha como o eremita dissera, o príncipe saiu fora da sua tenda e segundo disse ele mesmo e deu testemunho em sua história, viu Nosso Senhor em cruz, na maneira que lhe dissera o eremita.

E adorou-o muito devotamente com lágrimas de grande prazer.

(...) Neste aparecimento foi o príncipe D.Afonso certificado por Deus de sempre Portugal haver de ser conservado em reino.

(...) Tudo é para crer que Nosso Senhor quereria e faria a Príncipe tão virtuoso, sobre quem fundara reino e reis, tão virtuosos para o seu serviço e da santa fé católica"

Na mesma Crónica se conta mais tarde que D.Afonso relatou aos seus seguidores o acontecido, nomeadamente a divina protecção prometida, tendo sido depois aclamado por todos como rei de Portugal

"-Real, real por el-rei D.Afonso Henriques de Portugal "

Esta visão sobrenatural da fundação de Portugal, manteve-se convictamente enraizada na consciência nacional durante cinco séculos.

Seria Alexandre Herculano no primeiro volume da sua História de Portugal a por em dúvida o chamado "milagre de Ourique", sendo confrontado na altura com enormes protestos provenientes de sectores católicos mais tradicionalistas.

A batalha de Ourique-A aclamação

A importância que a historiografia deu a esta batalha, pelo menos até meados do século XIX, deveu-se ao facto de a ela estar associada a aclamação de D.Afonso Henriques como rei de Portugal, já que esse título aparece pela primeira vez num documento, bem datado, a 10 de Abril de 1140.

Outros de datação menos segura podem apontar para outras datas, mas uma coisa é certa, não foi encontrado nenhum documento autêntico que atribua o título de rei a D.Afonso Henrique anterior a 25 de Julho de 1139 dia em que se deu a batalha.

Não deve contudo considerar-se essa alteração significativa em termos de independência, a mudança operada no foro interno a passagem de condado a reino, pouco alterava a situação de dependência face a Afonso VII.

A atribuição do título de rei foi pois um momento importante sob o aspecto pessoal, mas não significou mais do que mostrar a vontade de ser independente.

A batalha de Ourique começou a assumir o seu carácter lendário, aparecendo pela primeira vez no princípio do sec XIV na Crónica Galego-Portuguesa de Espanha e Portugal.

Começa-se a esboçar a lenda de Ourique:batalha travada contra numerosa força de cinco reis mouros e ganha ou pela força da protecção divina (versão clerical) ou pela valentia dos cavaleiros (versão nobiliárquica).

As fontes árabes silenciam-na, assim como as crónicas castelhanas, omissão que tem sido interpretada como indício seguro de que o confronto, apenas reduzido a uma memória regional, nunca terá tido as dimensões que os textos de Coimbra mais tarde lhe atribuíram.

Na sequência de Alexandre Herculano, admite-se hoje que Ourique tenha consistido num simples fossado, ainda que se conceba que nele pudessem estar envolvidas forças de algumas importantes cidades islâmicas chefiadas pelo respectivo governador ou alcaide, atendendo a que, em 1139, desde Abril, Afonso VII cercava a praça moura de Oreja, motivando a mobilização de tropas provenientes de todo o al-Andalus, podendo ter sido um dos seus contingentes aquele que foi derrotado em Ourique.

É nesta linha que os "modernos" defensores da possibilidade da batalha de Ourique se ter travado mesmo no Alentejo, em traços gerais
  • concentração de exércitos mouros coligados defendendo Oreja, enfraqueceriam as forças no litoral peninsular.
  • durante mais de um mês, as forças de Afonso Henriques, atravessando o Tejo fora das linhas almorávidas, atacaram povoações menos bem defendidas, chegando até a Andaluzia.
  • O governado de Córdova terá reunido algumas tropas, tentando eliminar os atacantes, tendo então sido vencido na campina de Ourique.

A Batalha de Ourique-Localização

Não se sabe se o fossado da Ladeia, anteriormente referido, já tinha sido encorajado pelos de D.Afonso VII de 1133, que durante 4 meses devastou os territórios inimigos até á Andaluzia, o certo é que muitos outros se seguiram, alguns com êxito, outros como o de Tomar no ano de 1137, classificado como de "infortúnio" pelos Anais de D.Afonso.

Em fins de Junho princípios de Julho, o príncipe português parte de Coimbra com as suas tropas, em direcção ao Sul com o propósito de retomar e reerguer o castelo de Leiria e em 25 de Julho de 1139 dá-se um batalha , num local que fontes da época e posteriores denominam de Ourique.

A incursão em território inimigo, terá sido interceptado em Ourique pelo rei Esmar, que foi vencido e teve que abandonar o campo de batalha.

Onde se situava então Ourique ?

A resposta é controversa, entre a interpretação clássica que situa Ourique na vila que conserva hoje o mesmo nome a sul de Beja e de Castro Verde, cujo nome designava, uma extensa zona de pastagem.

Perguntando-se os críticos desta tese, como é que o jovem infante conseguiria passar as suas tropas num percurso de mais de 250 quilómetros, sem antes ser interceptado por exércitos inimigos, Com forças situadas pelo menos em Santarém, Lisboa, Palmela, Évora e Beja.

Para responder a esta dificuldade, alguns historiadores, têm proposto como local de batalha, não essa vila alentejana, mas outros locais com o mesmo nome, visto que pelo menos existem mais três :

  • um nas proximidades do Cartaxo
  • outro nas proximidades de Leiria
  • outro junto a Penela
Desde 1900 o prof.David Lopes sustentou, que dadas as posições militares dos portugueses e dos muçulmanos na época, Ourique tinha necessariamente que se situar a norte de Santarém, indicando a localização de "Chão de Ourique" próximo do Cartaxo, apenas 15 quilómetros a sul de Santarém.

Considerando que D.Afonso partiu de Coimbra em direcção ao sul e se defrontou pouco depois com as tropas de Esmar, que lha saíram ao caminho, é lógico concluir-se que Ourique só poderia situar-se entre Leiria e Santarém, sendo nesse caso de excluir todas as outras hipóteses, restando (segundo Freitas do Amaral) a de se considerar como local de batalha o "Campo de Ourique", junto á nascente do rio Lis, na freguesia de Cortes, concelho de Leiria, hipótese colocada pelo Dr.José Saraiva em 1929.

Resumindo
  • Em princípios de Julho D.Afonso sai de Coimbra com o seu exército, para ir recuperar o castelo de Leiria.
  • Apossando-se deste castelo, deixa um punhado de homens a guardá-lo e a proceder á reconstrução do castelo.
  • Continuando para sul, pode ter-lhe ocorrido conquistar Santarém.
  • Esmar governador militar de Santarém, avança para norte, para lhe sair ao caminho.
  • Dá-se então a confrontação em "Campo de Ourique", sendo Esmar derrotado.
Esta hipótese bastante simplista, embora com alguma lógica, afasta outras "divagações" históricas que se foram produzindo durante séculos, sobre a heroicidade do feito, em que a desproporção de forças, entre as hostes portuguesas e muçulmanas, era enorme , atendendo a que do lado "infiel" se alinhavam nada menos do que forças de 5 reis mouros, vindas de Sevilha, Badajoz,Évora e Beja.

Como seria possível ter acontecido tal coligação, se a recuperação de Leiria, intentada por D.Afonso Henriques, ocorreu de repente ?

Poderemos estar contudo a falar de mera coincidência de ocorrências, que levantaria a possibilidade da coligação se estar a preparar para atacar Coimbra, como retaliação ao inúmeros fossados que as hostes portucalenses se tinham habituado a intentar.

Ver-se-á que outros historiadores defendem outras teses, associando o combate militar de Ourique, a outras "coligações divinas", que lhe conferirão o estatuto de milagre

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Morte de Paio Mendes arcebispo de Braga

No outono de 1138 morre em Braga o seu arcebispo Paio Mendes da Maia, que exercia o cargo desde 1118. Irmão de Gonçalo o Lidador e de Soeiro, era filho de Mendo Soares e de Leodegunda Soares, a "Tainha", da casa dos Baiões.

Um grande lutador eclesiástico, que tinha conseguido resistir ao agressivo D.Diego Gelminez. Considerado por muitos como o verdadeiro aio de D.Afonso Henriques, mas sem entrar em polémicas, sobre o mais influente junto do Rei, não se pode deixar de o considerar, pelo menos um dos grandes conselheiros.

Daí a importância da escolha do sucessor, não tenha sido fácil, sendo chamado à assembleia eleitoral para a sucessão D.João Peculiar, na altura bispo do Porto, funções que exercia há muito pouco tempo, pois tinha sido nomeado para aquele cargo em 1135

domingo, 5 de abril de 2009

A batalha de Cerneja e a paz de Tui



A paz de Tui, foi assinado em 4 de Junho de 1137, entre D.Afonso Henriques e o imperador Afonso VII.

Pela parte portuguesa confirmam o pacto, a arcebispo de Braga D.Paio Mendes e o bispo de Porto, nessa altura já o referido João Peculiar e pela parte leonesa, os bispos de Segóvia, Tui e Orense, sendo de crer que fossem estes prelados quem trabalhasse então na concórdia entre os seus príncipes.

Que dizia então o texto desse pacto ?

  1. O infante D.Afonso prometia fidelidade e amizade ao Imperador, a quem nunca provocaria morte ou dano
  2. Que o infante prometia respeitar os territórios portugueses do Imperador, de tal modo que os não invadiria mais e se algum dos seus barões o invadisse, ele ajudaria lealmente a restituí-lo.
  3. Que se os filhos do Imperador, quisessem manter a paz, D.Afonso Henriques, ficava obrigado a fazer o mesmo.
A título de "bonus" Afonso VII o Imperador concedia ao infante naquele acto, as terras de Astorga, (que já haviam pertencido a seu pai), pelo qual D.Afonso Henriques, se constituía vassalo de Afonso VII.

A evidente submissão que este acto representa para D.Afonso Henriques, é surpreendente, face até á anterior vitória militar que obtivera em Cerneja.

  • Mattoso diz o seguinte sobre a batalha de Cerneja

Ainda na sequência da coroação de Afonso VII como Imperador e na sua tentativa de definir com mais clareza as suas relacção com Navarra e Aragão, firmou os laços com o Rei de Aragão, Ramiro II, através do casamento do seu filho com Petronilha de Aragão, concedendo-lhe em benefício a cidade da Saragoça, que motivou a revolta do rei de Navarra.

D.Afonso Henriques aproveita a ocasião e volta a ocupar os condados de Toronho e Límia
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Na sequência a batalha de Cerneja, na qual D.Afonso captura Rodrigo Veilaz, conde de Sárria, enquanto D.Afonso VII estava ocupado em dominar a revolta do rei de Navarro, sendo que só após este conflito resolvido, veio a Galiza, submeter o conde Límia à sua autoridade e encontra-se com D.Afonso Henriques

Quase todos os medievalistas se têm debruçado sobre esta questão.

Dizem uns que a evidência da derrota política de D.Afonso Henriques, que a leitura do texto comporta não corresponde á realidade, pois a documentação que chegou aos nosso dias estaria incompleta, como se comprova o facto de se mencionar apenas a presença do clero no evento, quando deveriam ter estado presentes muito mais entidades, ligadas á nobreza de ambos os lados, pelo que também faltaria nesse texto, os compromissos que o Imperador assumiu para com seu primo.

Para esses, estaríamos em presença de um acordo bilateral e não de um pacto de vassalagem.

Para outros, a derrota confirma-se pela confrontação de situações antes e depois do pacto.

Antes do pacto, Afonso Henriques era o senhor absoluto de todo o sul da Galiza, nomeadamente das províncias de Toronho e Límia, suserano dos condes galegos Gomes Nunes e Rodrigo Peres, vencedor da batalha de Cerneja e senhor da cidade de Tui.

Depois do pacto, perdeu tudo o que tinha adquirido na Galiza e que haviam sido terras de sua mãe e ganhava de volta Astorga, algo que por herança paterna, há muito haveria de lhe ser reconhecido.

Talvez tudo se justifique pela necessidade de acorrer a sul do território onde o castelo de Leiria sofria (eventualmente) por essa altura um ataque demolidor, como se viu anteriormente

A concessão do foral a Penela


Penela recebe o seu primeiro foral, atribuído por D. Afonso Henriques, em 1137.

Dois anos depois, em 1139, D. Afonso Henriques terá participado no fossado da Ladeia (designação da região entre Penela e Ansião) e, cinco anos depois, em 1142, D. Afonso Henriques cria outro concelho a cerca de 5 km de Penela, num dos montes Germanelos, onde constrói um castelo.

A primeira referência escrita a Penela porém, data do ano de 1087 e surge no testamento do Conde D. Sesinando. Naquele documento, o que foi o primeiro governador de Coimbra após a reconquista definitiva da cidade, diz ter “povoado o castelo de Penela”.